
Giselda Durigan
Estive no estado do Mato Grosso, participando do II Encontro das Nascentes do Xingu e da I Feira de Iniciativas Socioambientais, realizados de 16 a 18 de outubro de 2008, pelo Instituto Socioambiental – ISA, dentro da campanha Y ikatu Xingu (Água Boa para o Xingu), com a colaboração de diversas outras organizações nacionais e internacionais.
O evento aconteceu em Canarana, MT, uma das cidades mais importantes da região, que crescem rapidamente com a expansão do agronegócio. Como conseqüência, a região vê ameaçadas suas florestas e a água dos rios, pelas enchentes na estação chuvosa e pela diminuição das águas das nascentes no período de estiagem, além da erosão e assoreamento, que geralmente começam por estradas rurais mal planejadas e se agravam com o manejo inadequado do solo nas propriedades.
Minha missão no evento era ministrar duas oficinas, ambas tratando da restauração de ecossistemas, quais sejam: o cerrado e a mata ciliar. Levei aos participantes, que eram técnicos das instituições parceiras do ISA nas iniciativas de restauração, proprietários rurais, agricultores, assentados, índios e estudantes, uma síntese das experiências de restauração já realizadas por nós no Instituto Florestal e por outros pesquisadores na região sudeste.
Esta síntese resulta na seguinte mensagem: NÃO EXISTE UMA FÓRMULA ÚNICA QUE SE APLIQUE A TODAS AS SITUAÇÕES PARA A RESTAURAÇÃO DE ECOSSISTEMAS.
Esta constatação foi reforçada quando, ao término do evento, pude visitar as iniciativas daquela região. A já consagrada restauração pelo plantio de mudas, que se transformou até em lei no estado de São Paulo, lá é praticamente inviável no momento. Não existem viveiros e, mesmo se existissem, a distância até as fazendas chega a 400 km de estradas de terra, inviabilizando o transporte das mudas, especialmente na estação chuvosa.
Por outro lado, as sementes, que aqui são um recurso escasso e caro, lá são abundantes e muito baratas. Então, os resultados mais bem sucedidos, técnica e economicamente, têm sido obtidos com semeadura direta das espécies arbóreas. Confesso que, antes de visitar as áreas em restauração, eu tinha dúvidas de que poderia dar certo. Porém, no campo, vi áreas com cerca de 3.000 plantas de espécies arbóreas por hectare crescendo aos dois anos após a semeadura.
A diversidade não é alta, pois espécies com sementes pequenas dificilmente têm sucesso. Mas, com base em nossos estudos recentes, tenho certeza de que este não é um problema naquela região. Com tantas áreas de floresta nativa e cerrado ao redor das áreas em restauração, certamente, com o passar do tempo, a fauna e o vento trarão muitas outras espécies, enriquecendo os plantios.
Várias maneiras de efetuar a semeadura têm sido testadas por lá: punhados de sementes em covas, semeadura a lanço ou, até mesmo, semeadura com a plantadeira de grãos. As sementes de árvores são misturadas com sementes de leguminosas que crescem muito rápido, fixam nitrogênio, melhorando o solo e fazem sombra, dificultando a proliferação dos capins invasores.
Os desafios ainda são muitos, mas voltei do Xingu com a certeza de que é possível restaurar as florestas desmatadas ilegal ou indevidamente naquela região.
A restauração dos ecossistemas atenderá aos anseios das populações indígenas, que querem garantir sua pesca e a qualidade de suas águas, aos proprietários rurais, que buscam a certificação de seus produtos e a todas as organizações e pessoas preocupadas com a conservação dos recursos naturais.
Estive no estado do Mato Grosso, participando do II Encontro das Nascentes do Xingu e da I Feira de Iniciativas Socioambientais, realizados de 16 a 18 de outubro de 2008, pelo Instituto Socioambiental – ISA, dentro da campanha Y ikatu Xingu (Água Boa para o Xingu), com a colaboração de diversas outras organizações nacionais e internacionais.
O evento aconteceu em Canarana, MT, uma das cidades mais importantes da região, que crescem rapidamente com a expansão do agronegócio. Como conseqüência, a região vê ameaçadas suas florestas e a água dos rios, pelas enchentes na estação chuvosa e pela diminuição das águas das nascentes no período de estiagem, além da erosão e assoreamento, que geralmente começam por estradas rurais mal planejadas e se agravam com o manejo inadequado do solo nas propriedades.
Minha missão no evento era ministrar duas oficinas, ambas tratando da restauração de ecossistemas, quais sejam: o cerrado e a mata ciliar. Levei aos participantes, que eram técnicos das instituições parceiras do ISA nas iniciativas de restauração, proprietários rurais, agricultores, assentados, índios e estudantes, uma síntese das experiências de restauração já realizadas por nós no Instituto Florestal e por outros pesquisadores na região sudeste.
Esta síntese resulta na seguinte mensagem: NÃO EXISTE UMA FÓRMULA ÚNICA QUE SE APLIQUE A TODAS AS SITUAÇÕES PARA A RESTAURAÇÃO DE ECOSSISTEMAS.
Esta constatação foi reforçada quando, ao término do evento, pude visitar as iniciativas daquela região. A já consagrada restauração pelo plantio de mudas, que se transformou até em lei no estado de São Paulo, lá é praticamente inviável no momento. Não existem viveiros e, mesmo se existissem, a distância até as fazendas chega a 400 km de estradas de terra, inviabilizando o transporte das mudas, especialmente na estação chuvosa.
Por outro lado, as sementes, que aqui são um recurso escasso e caro, lá são abundantes e muito baratas. Então, os resultados mais bem sucedidos, técnica e economicamente, têm sido obtidos com semeadura direta das espécies arbóreas. Confesso que, antes de visitar as áreas em restauração, eu tinha dúvidas de que poderia dar certo. Porém, no campo, vi áreas com cerca de 3.000 plantas de espécies arbóreas por hectare crescendo aos dois anos após a semeadura.
A diversidade não é alta, pois espécies com sementes pequenas dificilmente têm sucesso. Mas, com base em nossos estudos recentes, tenho certeza de que este não é um problema naquela região. Com tantas áreas de floresta nativa e cerrado ao redor das áreas em restauração, certamente, com o passar do tempo, a fauna e o vento trarão muitas outras espécies, enriquecendo os plantios.
Várias maneiras de efetuar a semeadura têm sido testadas por lá: punhados de sementes em covas, semeadura a lanço ou, até mesmo, semeadura com a plantadeira de grãos. As sementes de árvores são misturadas com sementes de leguminosas que crescem muito rápido, fixam nitrogênio, melhorando o solo e fazem sombra, dificultando a proliferação dos capins invasores.
Os desafios ainda são muitos, mas voltei do Xingu com a certeza de que é possível restaurar as florestas desmatadas ilegal ou indevidamente naquela região.
A restauração dos ecossistemas atenderá aos anseios das populações indígenas, que querem garantir sua pesca e a qualidade de suas águas, aos proprietários rurais, que buscam a certificação de seus produtos e a todas as organizações e pessoas preocupadas com a conservação dos recursos naturais.



1 comentários:
Dá prá notar que quanto mais demorarmos para iniciar os projetos de restauração por aqui, mais dificil este processo será, né mesmo?
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